O Tolo Precário
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O principal é que nada de fato parece ser muito importante. É um pouco a sensação que temos ao acabar de ler um livro policial. Estupro, assassinato, roubos, mais um assassinato e meia hora depois, além de olhos cansados, temos o resto todo também cansado e esse cansaço inclui o barulho do banheiro do vizinho, o calor, o ônibus cheio, a comida ruim, a bebida boa, a calcinha desbotada de uma mulher, os velhos da praça, as horas que não passam.
O Tolo Precário mostra um escrivão da polícia que se dá mal. Depois de se envolver na morte de um suspeito dentro da delegacia, ele próprio se vê empurrado para sua própria morte. Não por ter se negado a participar de uma farsa para encobrir o caso. Não se negou propriamente. Nem aceitou. Ficou parado. Cansado de tudo.
"Os agentes batiam com precisão e calma,o sangue escorria pelo rosto de Capitão e ele segurava o choro. Os golpes pareciam ter ritmo lento e, aí, percebi ter bocejado."
Rossato foi repórter de polícia em São Paulo. Hoje mora em Brasília. É seu primeiro livro. Não tem muitas ilusões a respeito da justiça. Ou do poder.
O Tolo Precário é livro a ser lido em vez de todos os livros policiais. Sem deixar de ser um livro policial.
Elvira Vigna




